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Calçadistas escolhem mercados prioritários para exportações em 2016/2017

17

maio 2016

Calçadistas escolhem mercados prioritários para exportações em 2016/2017

Os calçadistas associados ao Brazilian Footwear, programa desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), elegeram os seis países que serão mercados alvo para o biênio 2017/2018: França, Reino Unido, Estados Unidos, Colômbia, China/Hong Kong e Emirados Árabes Unidos.
Na oportunidade, o economista e consultor da Abicalçados, Marcos Lélis, apresentou uma mudança na metodologia. Nas semanas anteriores à reunião, os empresários receberam uma pesquisa com 41 países pré-selecionados, para que avaliassem por grau de interesse e representatividade da empresa no mercado. Na sexta-feira, esses dados qualitativos foram apresentados junto a outras 70 variáveis quantitativas.
Lélis destacou os resultados relevantes alcançados pelo Brazilian Footwear mesmo em meio a um período de dificuldades no mercado internacional. Em 2015, ao passo em que as exportações totais de calçados caíram 10% (de US$ 1,067 bilhão para US$ 960,4 milhões), o recorte das empresas apoiadas pelo programa, e que representam quase 85% do total de embarques, apontou para uma queda de 6% (de US$ 802,2 milhões para US$ 753,76 milhões).
Os Estados Unidos foram acolhidos por unanimidade para o próximo convênio. O maior importador de calçados do mundo, que importou mais de US$ 25 bilhões em 2015, é o principal destino do calçado brasileiro desde a década de 70, quando se iniciaram as exportações nacionais do produto para aquele país. No primeiro trimestre de 2016, os norte-americanos importaram quase US$ 50 milhões em calçados verde-amarelos, resultado quase 20% superior ao registro do mesmo período de 2015.
“Depois de uma retração por questões econômicas e também por causa da desvalorização do dólar, o país volta a aparecer como o mais promissor para o incremento das exportações de calçados no próximo biênio”, avalia a gestora de Projetos da Abicalçados, Roberta Ramos.
Segundo levantamento do economista, alguns países, especialmente os dependentes do petróleo, estão com dificuldades para o pagamento de divisas aos importadores. Ainda assim, segundo ele, é importante manter um mercado no Oriente Médio. Neste contexto, os calçadistas escolheram seguir com os Emirados Árabes Unidos, tanto pelo trabalho iniciado no convênio atual, como pelo potencial de crescimento que representa.
Segundo Lélis, o país é, de longe, o maior importador de calçados do continente, tendo importado US$ 2,7 bilhões em calçados em 2014 (quase 50% do continente). Além disso, destacou o economista, o país consome calçados de alto valor agregado, de um preço médio de US$ 69/par.
No primeiro trimestre de 2016, os Emirados Árabes Unidos compraram US$ 5 milhões em calçados brasileiros, 25% menos do que no mesmo período de 2015. Por outro lado, segundo Lélis, existe grande espaço de crescimento, já que o Brasil responde por menos de 1% do total importado por aquele país.
Na América do Sul, a decisão foi pela manutenção da Colômbia entre os mercados alvo para o próximo biênio. “Nosso trabalho é muito consistente na Colômbia, temos fornecedores qualificados e um posicionamento de marca importante”, aponta Roberta, ressaltando que, no entanto, existe muito espaço para crescimento. Em 2014, último dado disponível, os colombianos importaram mais de US$ 467 milhões em calçados, mais de 10% deles do Brasil (US$ 48 milhões).
No primeiro trimestre de 2016, os calçadistas brasileiros exportaram o equivalente a US$ 8,6 milhões para a Colômbia, 6,8% menos do que no mesmo período do ano passado.
A China/Hong Kong, apesar das dificuldades logísticas, foi reeleita como mercado-alvo para o próximo convênio. O maior consumidor de calçados do mundo, com mais de 3 bilhões consumidos anualmente, é um potencial mercado para o calçado brasileiro.
Grande produtor de calçados, o país asiático importa produtos de maior valor agregado, mais qualificados do que o produzido localmente. Em 2014, foram importados quase US$ 7 bilhões em calçados (quase 70% de couro), sendo apenas US$ 21,5 milhões brasileiros. No primeiro trimestre do ano, foram embarcados para China/Hong Kong US$ 2,8 milhões em calçados verde-amarelos, 20% menos do que no mesmo ínterim de 2015. Já a expectativa, com a valorização do dólar, é de incremento significativo para o próximo período.
As novidades para o convênio 2017/2018 do Brazilian Footwear são França e Reino Unido. O primeiro, que vem se destacando no rol de destinos do calçado brasileiro nos últimos anos, aumentou suas importações totais em 6,4% entre 2010 e 2014, alcançando a cifra de mais de US$ 7,4 bilhões em calçados de outros países. No primeiro trimestre, o segundo principal destino dos calçados verde-amarelos – tendo ultrapassado a Argentina – consumiu quase US$ 18 milhões em calçados brasileiros, 4,7% mais do que no mesmo período de 2015.
A outra novidade é o Reino Unido, que durante muitos anos foi o segundo destino do produto brasileiro, mas que havia perdido força nos anos recentes. O conjunto de países chamou a atenção do Brazilian Footwerar pela pujança do crescimento econômico alcançado e também pelo incremento nas importações de calçados, chegando a mais de US$ 7 bilhões em 2014 (crescimento médio de 4,5% desde 2010). No primeiro trimestre, foram enviados para o Reino Unido o equivalente a US$ 7 milhões em calçados verde-amarelos, quase 12% mais do que no mesmo período do ano passado.
Brazilian Footwear é um programa de incentivo às exportações desenvolvido pela Abicalçados e Apex-Brasil que é renovado a cada dois anos desde a primeira formalização, no ano 2000. Este programa busca aumentar as exportações de marcas brasileiras de calçados através de ações de desenvolvimento, promoção comercial e de imagem voltadas ao mercado internacional.
Para o biênio 2015/2016 o programa, que teve um aporte total de mais de R$ 41 milhões, foi reformulado, prevendo, além do apoio comercial nas principais feiras calçadistas do mundo, estudos de mercados, projetos de estímulo ao design, promoção da imagem das marcas, entre outras ações. Em 2015, o Brazilian Footwear apoiou 204 empresas de calçados.

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