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Abicalçados prevê recuperação do setor este ano

18

jan 2017

Abicalçados prevê recuperação do setor este ano

Depois de um ano de 2016 com queda nas vendas de calçados no varejo interno na ordem de mais de 16%, a expectativa da indústria é de recuperação ao longo de 2017. O motivo, segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, é a soma da possível estabilidade política com o potencial da economia brasileira.
A declaração foi dada na coletiva de imprensa da entidade, na Couromoda. Na oportunidade, Klein ressaltou que o setor deve registrar uma recuperação gradual da demanda doméstica ao longo de 2017, especialmente a partir do segundo semestre.
“O mercado interno representa mais de 85% das vendas do setor, então essa retomada deve ter um reflexo importante para a indústria de calçados”, projetou o executivo, ressaltando que a objetivo é recuperar o nível histórico de empregos do setor, que é de 350 mil postos – hoje está em pouco mais de 300 mil.
Já na área internacional, o dirigente alertou que a eleição do presidente norte-americano Donald Trump é uma incógnita para os mercados. “Existem dois efeitos mais imediatos: o primeiro é sobre os sinais que o líder tem dado sobre a política de comércio exterior, o que pode impactar a balança comercial brasileira, especialmente a de calçados, já que os Estados Unidos são o principal mercado internacional para o nosso produto. O segundo ponto é o câmbio, que pode ser afetado com a política de juros norte-americana”, comentou Klein. Segundo ele, de uma maneira geral, se o mercado interno reagir conforme o esperado, o ano será positivo mesmo que o mercado externo não traga as melhores notícias.
O presidente da Ablac, Imad Esper, que será substituído pelo empresário Marcone Tavares, fez coro ao dirigente da indústria de calçados, ressaltando a possibilidade de recuperação ao longo do ano que inicia. “Temos uma inflação com tendência de queda, mas só poderemos realmente falar em recuperação do varejo quando tivermos sinais de retomada no nível de emprego”, destacou o dirigente, em referência ao exército de desempregados que chegou a 12 milhões em 2016.
Sobre o comércio com a Argentina, Klein ressaltou a importância do país vizinho, hoje o segundo maior mercado internacional para o calçado brasileiro. “Existe uma clara sinalização do governo Macri para a estabilidade do fluxo de comércio, mas a partir do segundo semestre passamos a ter um pouco mais de dificuldades na liberação das licenças de importação. A questão é até compreensível, pois o fluxo foi muito forte no primeiro semestre e a situação da Argentina, tanto por problemas internos quanto pela falta de reservas internacionais, acabou culminando nessa decisão”, declarou o executivo, acrescentando que foi aberto um diálogo importante com as autoridades argentinas e que a situação deve ser normalizada durante o ano.

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